Se se morre de amor!
(fragmentos)
Se se morre de amor! – Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruídoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n´alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança!
Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d´amor arrebatar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio.
Amar, e não saber, não ter coragem
Para dizer que amor que em nós sentimos:
Temer qu´olhos profanos nos devassem
O templo, onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis, d´ilusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora
Compr´ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!
não há quem possa resistir quando o chorinho brasileiro faz sentir
Um comentário:
se vive de amor.
Postar um comentário