sábado, 19 de janeiro de 2008

necessário é extraordinário

é precinecessário viver! viver, contanto, em qualquer coisa.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

VERSOS DE AMOR

(a um poeta erótico)

Parece muito doce aquela cana.
Descasco-a, provo-a, chupo-a... ilusão treda!
O amor, poeta, é como a cana azeda,
A toda a boca que o não prova engana.

Quis saber que era o amor, por experiência,
E hoje que, enfim, conheço o seu conteúdo,
Pudera eu ter, eu que idolatro o estudo,
Todas as ciências menos esta ciência!

Certo, este o amor não é que, em ânsias, amo
Mas certo, o egoísta amor este é que acinte
Amas, oposto a mim. Por conseguinte
Chamas amor aquilo que eu não chamo.

Oposto ideal ao meu ideal conservas.
Diverso é, pois, o ponto outro de vista
Consoante o qual, observo o amor, do egoísta
Modo de ver, consoante o qual, o observas.

Porque o amor, tal como eu o estou amando,
É Espírito, é éter, é substância fluida,
É assim como o ar que a gente pega e cuida,
Cuida, entretanto, não estar pegando!

E a transubstanciação de instintos rudes,
Imponderabilíssima e impalpável,
Que anda acima da carne miserável
Como anda a garça acima dos açudes!

Para reproduzir tal sentimento
Daqui por diante, atenta a orelha cauta,
Como Mársias - o inventor da flauta -
Vou inventar também outro instrumento!

Mas de tal arte e espécie tal fazê-lo
Ambiciono, que o idioma em que te eu falo
Possam todas as línguas decliná-lo
Possam todos os homens compreendê-lo!

Para que, enfim, chegando à última calma
Meu podre coração roto não role,
Integralmente desfibrado e mole,
Como um saco vazio dentro d'alma!


de Augustos dos Anjos

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Melô

Eu nasci pra esperar o meu amor
Que se foi, mas um dia voltará
Para os meu braços
E os nossos abraços realizar

"'Que sejas bem feliz' deve ter uns dois anos e poucos.
Se bom pra você for, podes partir, amor; e que sejas feliz, e muito bem feliz. Que Deus e a natureza, as aves nos seus ninhos... as flores pelas estradas perfumem todos os aminhos. Eu aqui ficarei, por você rezarei todas as tardes ao bater da 'Ave Maria'. Que sejas bem feliz, mas leve-me na mente. Que cresçam suas glorias e minhas lágrimas contentem.'
Cartola

domingo, 6 de janeiro de 2008

Se se morre de amor!
(fragmentos)

Se se morre de amor! – Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruídoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n´alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança!
Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d´amor arrebatar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio.
Amar, e não saber, não ter coragem
Para dizer que amor que em nós sentimos:
Temer qu´olhos profanos nos devassem
O templo, onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis, d´ilusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora
Compr´ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!

não há quem possa resistir quando o chorinho brasileiro faz sentir