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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

para Beral - Anaïs Nin


sejamos como O sistema sensorial: trabalhemos com as experiências.


06 - "Os sistemas sensoriais não evoluíram para mostrar ao organismo a realidade, mas para criar uma realidade útil a esse organismo". Concorde ou discorde e justifique.
Não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos.


... E sem fisiologia!

sábado, 27 de setembro de 2008

Sossega, preta, não se morre de amor nos trópicos

Todo mundo que se veste com a roupa da utopia, sofre tanto, sofre muito... Eu estava nu e não sabia. Eu e minha namorada, eu nu e ela nua, vestidos de utopia, fomos passear na rua: tropeço, tombo fatal, meio-fio, meia-lua, Baque Lindo.

domingo, 7 de setembro de 2008

Georg

Ai Jesse... a vida é um pagode!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

a felicidade vai

de manhã.

maltratei, sim, maltratei demais
e machuei, quei, quei, quei meu coração, que bate
que bate calado, que bate calado. que bate, que batedói
bate, dói, dói, que bate, dói, dói
que bate dói.
dói, amor
dói com d
ô dói!
e dói, amor
ô dói e dói

sábado, 30 de agosto de 2008

um sopro de vida

Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro… Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu… Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade.
Clarice Lispector

terça-feira, 19 de agosto de 2008

A cor do coração é a mesma cor

De uns tempos pra cá, telefone, bicicleta, minhas saídas mais secretas tô pensando em deixar. Dê no que tiver que dar: seu amor me basta ter! Pra ficar só com você... Isso de uns tempos pra cá.

domingo, 27 de julho de 2008

luí

"De Itaboca à Rancharia, de Salgueiro à Bodocó, Januário é omaior!"
E foi aí que me falou mei' zangado o véi Jacó:
"Luí" respeita Januário
"Luí" respeita Januário
"Luí", tu pode ser famoso, mas teu pai é mais tinhoso
E com ele ninguém vai,
"Luí"Respeita os oito baixo do teu pai!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Máquina

“As onças pardas não eram onças pardas, se chavamam fordes hupmobiles chevrolés dodges mármons e eram máquinas. Os tamanduás os boitatás as inajás de curuatás de fumo, em vez eram caminhões bondes autobondes anúncios-luminosos relógios faróis rádios motocicletas telefones gorjetas postes chaminés... Eram máquinas e tudo na cidade era só máquina. (...)

Macunaíma passou então uma semana sem comer nem brincar só maquinando nas brigas sem vitória dos filhos da mandioca com a Máquina. A Máquina era que matava os homens porém os homens é que mandavam na Máquina... Constatou pasmo que os filhos da mandioca eram donos sem mistério e sem força da máquina sem mistério sem querer sem fastio, incapaz de explicar as infelicidades por si. Estava nostálgico assim. Até que numa noite, suspenso no terraço dum arranhacéu com os manos, Macunaíma concluiu:

– Os filhos da mandioca não ganham da máquina nem ela ganha deles nesta luta. Há empate. (..)

A máquina devia de ser um deus de que os homens não eram verdadeiramente donos só porque não tinham feito dela uma Iara explicável mas apenas uma realidade do mundo. De toda essa embrulhada o pensamento dele sacou bem clarinha uma luz: Os homens é que eram máquinas e as máquinas é que eram homens. Macunaíma deu uma grande gargalhada. Percebeu que estava livre outra vez e teve uma satisfa mãe. Virou Jiguê na máquina telefone, ligou pros cabarés encomendando lagostas e francesas.”



Mário de Andrade, Macunaíma

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Onde a brasa mora
E devora o breu
Como a chuva molha
O que se escondeu
O seu olhar melhora o meu

sábado, 19 de janeiro de 2008

necessário é extraordinário

é precinecessário viver! viver, contanto, em qualquer coisa.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

VERSOS DE AMOR

(a um poeta erótico)

Parece muito doce aquela cana.
Descasco-a, provo-a, chupo-a... ilusão treda!
O amor, poeta, é como a cana azeda,
A toda a boca que o não prova engana.

Quis saber que era o amor, por experiência,
E hoje que, enfim, conheço o seu conteúdo,
Pudera eu ter, eu que idolatro o estudo,
Todas as ciências menos esta ciência!

Certo, este o amor não é que, em ânsias, amo
Mas certo, o egoísta amor este é que acinte
Amas, oposto a mim. Por conseguinte
Chamas amor aquilo que eu não chamo.

Oposto ideal ao meu ideal conservas.
Diverso é, pois, o ponto outro de vista
Consoante o qual, observo o amor, do egoísta
Modo de ver, consoante o qual, o observas.

Porque o amor, tal como eu o estou amando,
É Espírito, é éter, é substância fluida,
É assim como o ar que a gente pega e cuida,
Cuida, entretanto, não estar pegando!

E a transubstanciação de instintos rudes,
Imponderabilíssima e impalpável,
Que anda acima da carne miserável
Como anda a garça acima dos açudes!

Para reproduzir tal sentimento
Daqui por diante, atenta a orelha cauta,
Como Mársias - o inventor da flauta -
Vou inventar também outro instrumento!

Mas de tal arte e espécie tal fazê-lo
Ambiciono, que o idioma em que te eu falo
Possam todas as línguas decliná-lo
Possam todos os homens compreendê-lo!

Para que, enfim, chegando à última calma
Meu podre coração roto não role,
Integralmente desfibrado e mole,
Como um saco vazio dentro d'alma!


de Augustos dos Anjos

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Melô

Eu nasci pra esperar o meu amor
Que se foi, mas um dia voltará
Para os meu braços
E os nossos abraços realizar

"'Que sejas bem feliz' deve ter uns dois anos e poucos.
Se bom pra você for, podes partir, amor; e que sejas feliz, e muito bem feliz. Que Deus e a natureza, as aves nos seus ninhos... as flores pelas estradas perfumem todos os aminhos. Eu aqui ficarei, por você rezarei todas as tardes ao bater da 'Ave Maria'. Que sejas bem feliz, mas leve-me na mente. Que cresçam suas glorias e minhas lágrimas contentem.'
Cartola

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

para André

Enquanto o tempo não trouxer teu abacate
Amanhã será tomate, e à noite será mamão
Abacateiro sabes ao que estou me referindo
Porque todo tamarindo tem o seu agosto azedo
Cedo antes que o janeiro doce manga venha ser também
Abacateiro serás meu parceiro solitário
Nesse itinerário da leveza pelo ar
Abacateiro saiba que na refazenda
Tu me ensina a fazer renda que eu te ensino a namorar
Refazenda toda
Refazenda
Refazenda toda guariroba

domingo, 19 de agosto de 2007

Namorados


O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
— Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.— Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listada?
A moça se lembrava:
— A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
— Antônia, você parece uma lagarta listada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
— Antônia, você é engraçada! Você parece louca.

(Manuel Bandeira)
Ow, Din, a dança só termina quando a noite for embora!

domingo, 12 de agosto de 2007

minha?

como eram falsas as bolas de cristal.

terça-feira, 24 de abril de 2007

José Newton já dizia:"Se subiu tem que descer"

Quem não tem visão bate a cara contra o muro.

domingo, 15 de abril de 2007

ele pode esperar no silêncio
num fundo de armário
na posta restante
milênios, milênios no ar

quinta-feira, 5 de abril de 2007

"o amor natural"

Amor – pois que é palavra essencial comece
esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva.
Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma a expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, Platão viu contemplado:
é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar esta gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais.
um só espasmo em nós atinge o clímax:
é quando o amor morre de amor divino.

Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas.
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

drummond é tão convidativo, né?
_______
meu pé de pimenta vai ser banido do jardim daqui do prédio, já que é tido como “planta de enorme periculosidade”.
olhe, eu acho é pouco que essas crianças fiquem chorando depois de comerem minhas
pimentinhas.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

meu pé de pimenta vermelha

comprei um pé de pimenta vermelha e vou plantá-lo amanhã! :D
mas tenho a leve sensação que ele não vai vingar.